O que estou ouvindo: Comedown Machine (The Strokes)

Comedown Machine

Tem muita gente que se apaixonou pelos Strokes pelo que eles eram quando surgiram, e por isso se sente decepcionada com os rumos mais recentes da banda. Comigo é o contrário: pra mim eles estão cada vez melhores. E olha que eu quase sempre acho equivocado uma banda se afastar do rock, mas no caso deles deu certo. A riqueza sonora do “Angles”, de 2011, já mostrou que a banda evoluiu.

No “Comedown Machine”, os Strokes se distanciam ainda mais das origens, só que mais uma vez isso não é um problema.

AS QUE MAIS DÃO VONTADE DE OUVIR DE NOVO: “50/50” é a melhor, além de ser uma das poucas do disco que eu realmente classificaria como rock ‘n’ roll. “Slow Animals” tem um clima de reflexão adolescente sobre a vida e o universo (pois é). E o riff estilo video game de “Tap Out” é bem legal.

AS MENOS INSPIRADAS: O disco não tem nenhuma música ruim. Mas sempre que toca “80’s Comedown Machine” eu pulo pra próxima. Ela é legal, mas meio tediosa – tá pra esse disco assim como “Call Me Back” tava pro “Angles”.


Cantores pop que mandariam bem numa banda de rock (02)

Com só um pouquinho de esforço eu consigo imaginar o Cee-Lo Green (o do “Crazy”, sabe?) como vocalista de uma banda de rock. Mesmo com esse estilo meio Fat Family, ele leva jeito. Esse vídeo prova:


Top 10 – Clipes dos Foo Fighters

Tempos atrás, quando os Foo Fighters lançaram o Wasting Light, eu disse por aqui que já tinha uma semana que eu não parava de escutar aquele disco. Pois bem, seis meses se passaram e a situação não mudou. Isso é que é um disco de respeito.

Além de ouvir obsessivamente esse disco, eu também curto muito ficar revendo os clipes da banda. Os Foo Fighters são famosos pelos videoclipes altamente awesome que fazem. Então me deu vontade de fazer um pequeno Top 10 com os meus favoritos… que são esses aqui:

10 – Walk

Não sei se essa música merecia clipe porque ela nem é uma das melhores do “Wasting Light”. Também não sei se esse clipe merecia o prêmio de “Melhor Vídeo de Rock” do VMA, porque o clipe-trailer de “Howlin’ For You” dos Black Keys é muito bom, e os próprios Foo Fighters lançaram outros clipes melhores este ano. Mas o clipe é bem divertido e tem o Dave fazendo uma cara de desenho animado digna de atenção quando leva choque dos policiais.

Obs.: o que o Dave quis dizer quando agradeceu o prêmio do VMA falando que “parece que o rock ‘n’ roll ainda está vivo”? O maior sinal de glória do gênero atualmente é um clipe de rock ganhar um prêmio… numa categoria voltada só para o rock? 😀

9 – Learn to Fly

Não sei explicar por que gosto desse clipe sem soar óbvio. Bem, eles interpretam vários personagens como num filme do Eddie Murphy e tem o Jack Black e o Kyle Gass, é isso.

8 – Times Like These

Admiro muito a cara de pau que os Foo Fighters têm pra fazer uns clipes tão assumidamente baratos. Nesse aqui eles usam um chroma-key bem cretino, o fundo verde até é mostrado no final. A cretinice é tão honesta que eu gosto.

7 – Big Me

Esse clipe é puro nonsense. Acho que é o segundo dos Foo Fighters, mas é o primeiro com esse tom de comédia que fez a fama dos videoclipes da banda. Parte favorita: quando o Dave e o Pat olham pro moleque no final com aquela cara marota de “seu danadinho…”.

6 – The Best of You

Só os primeiros quarenta e poucos segundos já valem o clipe inteiro: close na boca do Dave Grohl berrando na frente de um daqueles microfones bem roots. É minimalista mas é intenso, passa muita energia, cara. Acho que também ajuda nessa cena o fato de que o Dave Grohl tem dentes grandes, que nem o Cuba Gooding Jr. Sei lá, viajei agora. Bom, depois o clipe intercala cenas da banda tocando com umas imagens aleatórias. Confesso que nunca entendi a relação entre elas, mas nunca me esforcei pra entender, também.

5 – The Pretender

Então, outra coisa que eu não entendo. O que é aquele negócio que eles jogam nos soldados no final? É só água mesmo? Às vezes tenho a impressão de que é tipo uma gosma vermelha.

4 – White Limo

Outro clipe em que os caras não tavam a fim de gastar muito. Essa pegada filme caseiro é uma boa desculpa.

Gosto especialmente daquelas partes em que o Dave canta olhando pra câmera sem microfone nem nada, me lembra muito o falecido “Two Descarga Boys”.

3 – Long Road to Ruin

Primeiro clipe do Foo Fighters que eu vi. Dispensa mais comentários.

2 – Breakout

Dos clipes mais engraçadões dos Foo Fighters, acho que esse é o meu favorito. Melhor parte: Dave berrando “Breakooooout” e digivolvendo de Dave mané para Dave que usa roupa preta.

1 – Rope

O que eu mais gosto num clipe não é historinha nem efeito especial – eu gosto mesmo é de sentir o carisma, a energia da banda tocando. Talvez por isso o clipe de “Rope” seja um dos que eu mais revi. Pô, e quando a câmera vai acompanhando o fio até a caixa pra mostrar o Pat Smear apertando o botão, e aí depois entra aquela luz vermelha pesada enquanto róla o solo… muito sensacional.


Meu Novo Projeto de Vida

1 – Tocar no Rock in Rio

2 – Ser vaiado pelo plateia do Rock in Rio

3 – Gritar os seguintes dizeres:

4 – Tocar um repertório com os maiores hits da Banda Calypso

5 – Desviar das latinhas arremassadas pelo público

6 – Chamar o povo pra porrada

7 – Morrer em combate e ser aclamado como grande mártir do rock ‘n’ roll

(THE END)


Você deixaria uma música sua tocar em Malhação?

Acho que esse deve ser um dos maiores dilemas que uma banda de rock brasileira pode enfrentar. Imagina, você tá ainda meio no início da carreira, tentando conquistar um público mais amplo. Sua música começa a chamar um pouquinho de atenção. Daí te liga alguém lá da direção das novelas da Globo pedindo pra usar uma música sua como tema de um personagem de Malhação. Você deixaria? A decisão é mais difícil do que parece.

Essa pode ser uma oportunidade única pra um artista que tá começando, você vai tornar o seu trabalho conhecido. Se você negar, pode nunca mais ter a chance de ouvir a sua música tocando na Globo – e, em seguida, em todas as rádios do país.

Mas sei lá… a gente acaba perdendo um pouco o respeito por uma música quando sabe que ela tocava em Malhação, a novela do público teen (IMPORTANTE: A PALAVRA “TEEN”, QUANDO USADA FORA DE UM PAÍS DE LÍNGUA INGLESA, NUNCA ESTÁ EM UM CONTEXTO POSITIVO. ELA JAMAIS SE REFERE A ADOLESCENTES QUE FAÇAM USO DE SEUS NEURÔNIOS).

Tem músicas do Charlie Brown Jr. e da Pitty que são até interessantes, mas não dá pra ouvir sem ficar pensando que um dia a canção serviu de trilha sonora pra os roteiros mais babacas que se pode imaginar. Então você acaba sacrificando uma música sua se você aceitar incluí-la como tema da novela.

Mas, bem… você pode fazer outras músicas melhores depois, né? O que não pode é desperdiçar uma chance tão boa de alcançar o mainstream. Viva o capitalismo.


20 anos de Nevermind

Spencer Elden, o bebê da capa. Antes e depois.

Claro que eu já conhecia “Smells Like Teen Spirit” e “Come As You Are” (como não conhecer?). Também já tinha ouvido uma ou duas vezes na MTV “Heart-Shaped Box” e “Lithium”. Mas só fui conhecer mesmo o Nirvana em 2009. Me lembro que, não sei a razão, comecei a procurar coisas da banda no Youtube. E me surpreendi com as músicas, era uma melhor que a outra… todas pareciam quase perfeitas.

Acho que uma das coisas que mais me atraem no Nirvana é que o som deles passa uma certa maturidade. A música deles parece entender que o mundo não é um lugar legal, e portanto não há razão pra sorrir. Sabe, as canções que fazem sucesso por aí são quase sempre felizes demais, ou sentimentais demais (especialmente no Brasil). Quando você olha para a obra do Nirvana todo o resto do cenário musical parece ridículo, parece infantil.

Mesmo que o Kurt Cobain jurasse não ser tão infeliz quanto indica o seu estereótipo, esse é o sentimento que a banda passa, nas músicas, no visual, em tudo. Não tranquilamente infelizes como um grupo de blues. Não chorosamente infelizes como uma banda emo. Não exagerada e revoltadamente infelizes como uma banda de heavy metal. O Nirvana gritava sua insatisfação com sobriedade.

As canções do Nirvana falam comigo de uma forma que nenhuma outra banda consegue falar. A admiração/obsessão que tenho pelo mito de Kurt Cobain é maior que a que tenho por qualquer outro artista.

Achei o Nirvana tão incrível na época que os conheci que eles até hoje são minha banda favorita (tiraram o posto dos Beatles). Adoro as músicas do Nevermind ainda hoje, e o impacto das primeiras vezes que o ouvi foi o impacto que só os grandes álbuns podem causar, te fazendo querer ouvir de novo e de novo, várias vezes… só lamento que essa sensação das primeiras audições nunca mais vai se repetir.

O Nevermind obviamente está longe de ser o último álbum de qualidade que ouvimos. A lista de grandes discos que vieram em seguida começa com o próprio In Utero, que o Nirvana lançou em 93…

O que o Nevermind teve que não se consegue mais hoje em dia foi essa aura de lenda, de obra de arte que vai além de algumas audições no iPod. Isso não se consegue só com qualidade sonora. Com o que mais? Putz, não sei ao certo, cara.

Os 20 anos que o álbum faz agora em setembro me levam a pensar, o que é necessário fazer pra se iconizar como Kurt Cobain conseguiu? Será que ainda é mesmo possível criar algo que tenha aquele mesmo combo de originalidade + genialidade + apelo popular? Aquele status de lenda?

Até me deprime um pouco pensar que, na verdade, não se cria nada tão extraordinário hoje em dia talvez não por falta de talento (e tentativa) dos músicos atuais… mas simplesmente porque não dá.


Não toca Iron Maiden nas propagandas da Coca-Cola

Acho que nunca existiu uma propaganda que tivesse um heavy metal como tema musical, né?

Pensei nisso depois que descobri que a música daquela propaganda da Coca-Cola era do Oasis (é, eu não sabia). Daí comecei a pensar, “a sua banda só pode ser considerada foda de verdade se algum dia uma música dela foi usada numa propaganda.”

(não que eu ache o Oasis tão foda assim.)

O fato de sua música estar numa propaganda é um atestado de que a sua banda conseguiu alcançar um bom grau de mainstreamização, e, mais que isso: significa que sua música é mais do que um ruído para balançar a cabeça, ela pode se encaixar bem em situações estranhas ao hábitat natural dela e ser ouvida por qualquer um.

Aí saquei que essa teoria não vale pra bandas de heavy metal, porque elas têm músicas muito agressivas, com um som muito pesado e ódio demais no coração. As marcas não querem esse tipo de sentimento associado a elas, claro. Um “Back in Black” até passa… mas um “Seek and Destroy”, aí não tem condição.

Aí saquei que não me lembro de ter ouvido uma música do Nirvana numa propaganda. Bem, o caso do Nirvana é mais ou menos o mesmo das bandas de heavy metal, por não ter muitas músicas felizes. Mas ainda assim a teoria ficou enfraquecida.

Aí eu saquei que “Vou Não, Minha Mulher Não Deixa Não” já foi tema de uma propaganda. Então minha teoria foi por água abaixo de vez.